Tempestade Tireoidiana – O Que É e Como Diagnosticá-la?

Publicado em: 18/06/2020

A tempestade tireoidiana (ou crise tireotóxica) é uma condição excepcional de saúde com risco de vida associada ao hipertireoidismo não tratado ou subtratado. Geralmente ela é um evento agudo que exige tratamento imediato, sendo considerada uma emergência médica. Durante a tempestade tireoidiana a frequência cardíaca, a pressão sanguínea e a temperatura corporal de um indivíduo podem subir a níveis perigosamente altos. Sem um tratamento rápido e incisivo, a condição costuma ser fatal.

A fisiopatologia desta condição ainda não foi completamente esclarecida. Parece haver um aumento súbito dos hormônios tireoidianos e diminuição da ligação do T4 com a globulina. Também há evidências de que na tireotoxicose está aumentado o número de ligações do hormônio com as catecolaminas produzidas pelas glândulas adrenais. Ela também pode ser explicada pela liberação aguda das citocinas (moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células das respostas imunes) ou distúrbios imunológicos agudos causados pelas condições precipitantes.

A tempestade tireoidiana é rara, ou seja, a minoria dos portadores de hipertireoidismo desenvolve esta intercorrência. Geralmente a crise tireotóxica desenvolve-se espontaneamente, porém ocorre mais freqüentemente em pessoas com hipertireoidismo não tratado ou com tratamento deficitário. As infecções são os fatores precipitantes mais importantes, mas outras condições clínicas podem estar associadas com o rápido aumento nos hormônios tireoidianos, sendo elas: cirurgia tireoidiana, suspensão brusca do tratamento do hipertireoidismo, iodoterapia radioativa, palpação vigorosa da tireoide, traumatismo na região cervical e uso excessivo de hormônio tireoidiano.

As alterações da tempestade tireoidiana são semelhantes às do hipertireoidismo, mas são mais repentinas, graves e extremas. Os sintomas mais comuns incluem: frequência cardíaca acelerada (taquicardia) que excede 140 batimentos por minuto, fibrilação atrial, febre alta (acima de 40°), sudorese persistente, tremores, agitação, inquietação, confusão mental e diarreia. Podem ocorrer, ainda, insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio. Formas atípicas podem apresentar coma, convulsões, apatia, estupor, infarto cerebral, insuficiência adrenal ou hepática aguda e abdome agudo.

O diagnóstico da crise tireotóxica é eminentemente clínico, baseado nos sinais e sintomas. As taxas hormonais nem sempre se correlacionam com a gravidade do quadro e permitem diferenciar a tireotoxicose simples de uma crise tireoidiana.

Por ser uma emergência médica e requerer tratamento imediato, frequentemente deve-se fazer uma internação em unidade de tratamento intensivo (UTI). O tratamento é o mesmo que é feito para o hipertireoidismo comum, mas as drogas devem ser administradas em doses mais altas e com maior frequência. O iodeto de potássio e as drogas antitireoidianas são usados para reduzir a liberação de hormônios tireoidianos. A ventilação mecânica e a utilização de corticoides podem ser necessárias. Também deve ser tratada a causa desencadeante, caso venha a ser identificada. Normalmente a tempestade tireoidiana é reversível, todavia 20 a 30% delas pode resultar em óbito, principalmente se o paciente possui outras comorbidades.

A crise tireotóxica pode ser prevenida mantendo-se um correto tratamento do hipertireoidismo e um adequado controle dos fatores desencadeantes.

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Publicado por: Dra. Natália Andrade

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