Glândulas Paratireoides – Doenças, Diagnóstico e Tratamento

Publicado em: 06/08/2020

As glândulas paratireoides são pequenas estruturas do sistema endócrino que controlam a quantidade de cálcio no sangue e nos ossos. Geralmente são 4 glândulas, localizadas atrás (borda posterior) da glândula tireoide. Em poucos casos, podem haver maior número de paratireoides ou mesmo ectopia das glândulas (paratireoides em localizações anômalas) no pescoço. O tamanho médio destas estruturas é de 6 milímetros (0,4 gramas).

A função das glândulas paratireoides é regular o cálcio no sangue secretando um hormônio chamado paratormônio (PTH). O cálcio é um íon fundamental para contração muscular, formação de ossos e dentes, funcionamento de diversas enzimas, coagulação sanguínea e ritmo cardíaco.

Quando os níveis de cálcio diminuem, o PTH se eleva para aumentar a absorção do cálcio que seria excretado pelos rins. O PTH também age nos ossos, através da ativação dos osteoblastos e osteoclastos, retirando cálcio de sua estrutura e elevando os níveis sanguíneos deste íon. O paratormônio também aumenta a absorção de cálcio da dieta no trato gastrointestinal.

Deste modo, alterações do funcionamento das paratireoides podem levar a desequilíbrios dos níveis de cálcio por problemas na absorção e retenção desse íon. Existem três grupos de doenças da paratireoide: hiperparatireoidismo, câncer de paratireoide e hipoparatireoidismo.

HIPERPARATIREOIDISMO

O hiperparatireoidismo (HPT) é o tipo mais comum de doença da paratireoide. No HPT, uma ou mais glândulas estão hiperativas. Como resultado, as glândulas produzem muito PTH. Isso pode resultar em muito cálcio no sangue – uma condição chamada. Geralmente, um tumor benigno (adenoma) na glândula causa o HPT, que é chamado de HPT primário.

A hipercalcemia pode causar problemas sérios, incluindo osteoporose, cálculos renais, doenças cardíacas e hipertensão arterial.

Os sintomas leves mais frequentes são:

  • fraqueza muscular
  • fadiga
  • aumento da necessidade de sono
  • depressão
  • dores nas articulações e ossos

Os sintomas para pessoas com doenças mais graves podem incluir:

  • perda de apetite
  • náuseas
  • vômitos
  • constipação
  • confusão mental e memória prejudicada
  • aumento da sede e micção

Em casos raros, duas ou mais glândulas estão hiperativas, podendo corresponder a duplo adenomas ou hiperplasia das paratireoides.

O HPT é diagnosticado com mais frequência em pessoas entre 50 e 60 anos. As mulheres são afetadas cerca de três vezes mais que os homens. Algumas pessoas têm HPT devido a um distúrbio genético raro chamado hipercalcemia hipocalciúrica familiar, uma condição tipicamente benigna.

Pacientes com insuficiência renal, em sua maioria dependentes de diálise, desenvolvem um distúrbio chamado HPT secundário. Nestes casos, há uma hiperatividade das  glândulas paratireoides em decorrência da baixa taxa de filtração renal e dos compostos utilizados durante a hemofiltração (citrato).

CÂNCER DE PARATIREOIDE

Carcinoma de paratireoide é uma doença rara, com incidência de 0,5 a 4% dos pacientes com HPT primário.  A hipercalcemia grave e suas complicações associadas muitas vezes representam uma ameaça maior à sua saúde do que o próprio câncer. As apresentações clínicas do carcinoma de paratireoide são variadas, entretanto é evidente a presença de quadros clínicos muito mais sintomáticos, se comparados aos adenomas de paratireoide. A mortalidade é de cerca de 29% pela doença e a recorrência é de 30 a 65%.

HIPOPARATIREOIDISMO

Hipoparatireoidismo significa que o corpo não produz PTH suficiente. Como resultado, os níveis de cálcio no sangue ficam muito baixo. A condição é geralmente causada por cirurgia no pescoço ou danos às paratireoides. Também pode acontecer a partir de distúrbios autoimunes.

O hipoparatireoidismo aumenta o risco de:

  • Doença de Addison, um distúrbio que ocorre quando as glândulas supra-renais não produzem hormônios suficientes. Esse risco está associado apenas ao hipoparatireoidismo relacionado à autoimunidade
  • Catarata
  • Doença de Parkinson, um distúrbio progressivo que afeta o cérebro e causa movimentos anormais e outros sintomas.
  • Anemia perniciosa, uma condição na qual o corpo não consegue produzir glóbulos vermelhos suficientes devido à falta de vitamina B-12. Pessoas com esse distúrbio são incapazes de absorver o suficiente B-12 dos alimentos. Esse risco está associado ao hipoparatireoidismo relacionado à autoimunidade.

DIAGNÓSTICO

O seu médico pode diagnosticar a doença da paratireoide, testando os níveis de cálcio e PTH no sangue, além da calciúria. Caso haja suspeita de algum distúrbio (HPT), os seguintes exames de imagem podem ser solicitados:

  • Ultrassom
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância Nuclear Magnética
  • Densitometria Óssea

Para diagnóstico diferencial de pseudohiperparatireoidismo, é fundamental também a dosagem da 25-hidroxi-vitamina D no sangue. 

TRATAMENTO

CIRURGIA A remoção cirúrgica das glândulas paratireoides hiperativas é altamente eficaz na maioria dos pacientes A remoção cirúrgica de paratireoides doentes pode levar a uma maior densidade óssea, redução de chance de fraturas e de formação de cálculos renais.

A cirurgia é realizada de duas maneiras:

  • Paratireoidectomia minimamente invasiva: O cirurgião remove a glândula hiperativa através de uma pequena incisão no pescoço, com menor manipulação às estruturas vizinhas. Essa abordagem envolve menos dor e menor risco para o paciente. Também reduz o tempo de recuperação em comparação com cirurgias mais invasivas.
  • Exploração padrão do pescoço:A exploração do pescoço é mais invasiva. Pode ser usado se o cirurgião planeja inspecionar mais de uma glândula. É feita uma incisão maior para acessar e examinar as quatro glândulas e remover as hiperativas.

O cirurgião removerá o tecido e o enviará a um  patologista para análise. Isso informará o seu médico se o tecido anormal é benigno e suas características histopatológicas. Em ambas as modalidades cirúrgicas, a dosagem do PTH rápido intraoperatório é fundamental para confirmar o sucesso do tratamento cirúrgico.

MEDICAMENTOS: Medicamentos chamados calcimiméticos podem diminuir a quantidade de PTH produzido pelas glândulas paratireoides. O uso é indicado para casos de HPT grave para controle da hipercalcemia severa.

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Publicado por: Dra. Natália Andrade

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