Câncer de Laringe: Fatores de Risco, Diagnóstico e Tratamento.

Publicado em: 16/07/2020

O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens, na quinta e sexta décadas de vida, e é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço. Representa entre 20 e 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas. Corresponde ao segundo tipo mais comum de câncer respiratório do mundo.

A ocorrência pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão:  supraglote, glote e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na prega vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das pregas vocais). Tumores exclusivamente subglóticos são bastante raros. O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma espinocelular.

São considerados fatores de risco para o câncer de laringe:

  • O fumo e o álcool são os principais fatores de risco, sendo que o fumo aumenta em 10 vezes a chance de desenvolver o câncer de laringe.
  • Estresse e mau uso da voz também são prejudiciais.
  • Excesso de gordura corporal pode aumentar o risco de câncer de laringe.
  • Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos está associada ao desenvolvimento de câncer de laringe.
  • Os trabalhadores da agricultura e criação de animais,  indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, barbeiros, mineiros, pintores e mecânicos de automóveis podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença por exposição ocupacional a determinados agentes carcinogênicos.

Os sintomas estão diretamente ligados à localização da lesão, mas geralmente inicia-se com quadro de rouquidão persistente (voz soprosa) por mais de 21 dias. Outros sinais e sintomas são: dor de garganta, alteração na qualidade da voz, dificuldade de engolir, sensação de “corpo estranho” na garganta e nódulo (linfonodomegalia) no pescoço. Nas lesões avançadas das pregas vocais, além da rouquidão, podem ocorrer odinofagia, disfagia importantes, além de dispneia acentuada.

O diagnóstico do câncer da laringe se dá por meio da laringoscopia, exame que pode ser feito no consultório ou em centro cirúrgico. Durante sua realização, é possível a coleta de fragmentos do tumor para exame histopatológico (do tecido). É obrigatório a análise histológica dos fragmentos tumorais antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade.

A biópsia pode ser feita sob anestesia local, com uso de endoscópios flexíveis  ou rígidos, ou sob anestesia geral pela laringoscopia direta, caso não seja indicado o procedimento sob anestesia local. Incluem-se nesses casos pacientes com lesões mais complexas e que tenham outras condições clínicas que dificultem o procedimento. O estadiamento completo também deve contemplar exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética.

O tratamento do câncer de laringe varia de acordo com a localização e a extensão da lesão, podendo ser cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas, já que a terapêutica pode afetar respiração, fala e deglutição. A laringectomia total implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva. Em alguns casos, a radioterapia pode ser empregada como tratamento inicial, deixando a cirurgia para o resgate, caso a radioterapia não seja suficiente controle tumoral.

A associação de quimioterapia e radioterapia é utilizada em protocolos de preservação de órgãos, criados para tumores laríngeos mais avançados, que devem ser selecionados adequadamente. Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas permitindo a preservação da função da laringe, mesmo em tumores moderadamente avançados.

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Fonte: INCA

Publicado por: Dra. Natália Andrade

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