Biópsia em Lesões de Cabeça e Pescoço: Como e Quando Fazer?

Publicado em: 02/07/2020

O termo biópsia consiste na retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. As biópsias são utilizadas em diferentes contextos na prática médica. A principal indicação é para determinar se um tumor é benigno ou maligno. Outros propósitos para as biópsias são, por exemplo, avaliar a extensão da lesão ou de um tratamento inicialmente proposto.

Em oncologia, as biópsias são utilizadas para definição do tipo histológico e agressividade de um tumor, documentação da existência de lesões metastáticas ou recidivas locais ou, até mesmo, verificação de ocorrência de mutações da lesão primária.

Existem muitas maneiras de se realizar biópsias no segmento cérvico-facial, seja por via cirúrgica, através de exames endoscópicos (broncoscopia, endoscopia digestiva alta, laringoscopia) ou por via percutânea, sejam guiadas por exame clínico (geralmente em casos de lesões superficiais ou palpáveis) ou por métodos de imagem (ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância magnética).

Deste modo, o cirurgião de cabeça e pescoço, após anamnese completa e exame físico minucioso, pode indicar a realização de uma biópsia para confirmação histológica de alguma lesão suspeita. Em geral, quando a ferida encontra-se em região mucosa e pode ser visualizada a olho nu, a coleta de amostra tecidual é feita, após aplicação de anestésico local, de forma excisional (remoção completa do espécime) ou incisional (remoção parcial) com pinças saca-bocado ou punchs.

A análise de tumores mucosos em hipofaringe ou laringe necessita, muitas vezes, de equipamentos como laringoscópio ou nasofibroscópio que possibilitem o médico, sob visão direta ou através de um monitor de vídeo, realizar a biópsia com pinças especiais. Especificamente na região glótica, pelo risco de laringoespasmo, há a predileção de realização da biópsia em centro cirúrgico, sob anestesia geral.

Quando o cirurgião opta pela avaliação de massas cervicais, as biópsias percutâneas são seguras e com bons resultados quando realizadas em localizações superficiais. Frequentemente utilizamos o ultrassom como método de imagem guia, seja para obtenção de material por punção aspirativa com agulha fina (PAAF) (por exemplo, de lesões da tireoide ou de linfonodos cervicais) ou, em casos de lesões maiores, através de biópsia com agulha grossa. Para as lesões profundas da cabeça e pescoço, entretanto, a tomografia vem se mostrando superior devido a ótima resolução espacial da imagem, destacando-se que o conhecimento detalhado da anatomia seccional é essencial quando se pretende biopsiar estruturas profundas por esta técnica.

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Publicado por: Dra. Natália Andrade

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2 respostas para “Biópsia em Lesões de Cabeça e Pescoço: Como e Quando Fazer?”

  1. Ótimo trabalho!
    Após perder muito tempo na internet encontrei esse blog
    que tinha o que tanto procurava.
    Gostei muito.
    Meu muito obrigado!!!

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