Abscesso Cervical – Condição Rara Porém Fatal!

Publicado em: 25/06/2020

Os abscessos cervicais são infecções das fáscias cervicais profundas e dos espaços formados por elas, com coleção líquida e, muitas vezes, com componente gasoso. No passado, essas infecções eram condições que representavam risco importante de morte. Com a melhora da antibióticoterapia, métodos diagnósticos e intervenção cirúrgica precoce, as taxas de mortalidade tem caído significativamente. Ainda assim, esses abscessos podem apresentar uma morbidade elevada, podendo evoluir para complicações como a insuficiência respiratória, pericardite, trombose venosa, rupturas arteriais, choque séptico, e mediastinite (taxa de mortalidade ao redor dos 40%).

As causas dos abscessos cervicais são inúmeras, sendo as mais freqüentes os focos sépticos dentários (mais comum em adultos) e as infecções faríngeas e amigdalianas (predominantes em crianças). Menos comuns são as injeções de drogas nas grandes veias do pescoço, os traumatismos, as infecções das glândulas salivares e a introdução traumática de corpos estranhos no local.

A maior parte dos abscessos cervicais contém uma flora polimicrobiana. O Staphylococcus aureus era a bactéria mais comum na era pré-antibiotico. Atualmente, as espécies mais comuns são estreptococos (mais freqüentemente o S. viridans, e β-hemolítico), e os anaeróbios. Outras bactérias que podem estar envolvidas são o H. influenza, S. pneumoniae, M. catarrhalis, Klebsiella, Neisseria, e difteróides. A maior parte dos abscessos odontogênicos envolve anaeróbios, incluindo bacteróides, peptoestreptococos, e fusobacterium. É importante ressaltar que a porcentagem de aeróbios e anaeróbios produtores de β-lactamase está crescendo, com conseqüência importante na cobertura antibiótica. A presença de bactérias gram-negativas é rara, devendo ser lembrada em pacientes idosos, diabéticos, e pacientes imunocomprometidos.

Os exames de imagem são de fundamental importância para avaliar os pacientes portadores de abscessos cervicais. O Raio X simples da região cervical pode mostrar, além do aumento de volume das partes moles, desvio da traquéia, presença de corpo estranho (agulha, por exemplo), perda da lordose cervical normalmante observada e osteomielite de corpo vertebral. O Raio X é útil, também, para distinguir entre infecções superficiais e profundas. Todavia, com a facilidade e a qualidade de imagem, a opção preferencial é pela realização de tomografia computadorizada. A tomografia fornece as dimensões e a localização de um abscesso cervical. Outros achados são o aumento de partes moles e a perda do contorno ovalado do pescoço nos cortes axiais, que passa a ser arredondado. A tomografia computadorizada possibilita ao cirurgião planejar melhor a abordagem no caso de precisar drenar esses casos e avaliar a evolução da terapêutica instituída.

O tratamento consiste na introdução de antibióticos tão cedo quanto possível e, muitas vezes, na abordagem cirúrgica. Para isto, é mandatório que o cirurgião esteja familiarizado com a anatomia das fáscias cervicais e dos espaços determinados por tais fáscias, denominados espaços cervicais profundos. O controle do foco infeccioso, de forma precoce e direta, reduz a morbimortalidade dos pacientes acometidos por tal infecção.

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Fontes: 1) DURAZZO, M.D. et al. Os espaços cervicais profundos e seu interesse nas infecções da região. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 1997, vol.43, n.2,pp.119-126. 2) Seminários da Fundação Otorrinolaringologia (FORL).

Publicado por: Dra. Natália Andrade

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